ano paulino

Leitura da carta aos Romanos

Que o vosso amor seja sem hipocrisia: detestai o mal e apegai-vos ao bem; no amor fraterno, sede carinhosos uns com os outros, rivalizando na mútua estima. Quanto ao zelo, não sejais preguiçosos; […] Sede alegres na esperança, pacientes na tribulação e perseverantes na oração. Sede solidários com os cristãos nas suas necessidades e aperfeiçoai-vos na prática da hospitalidade. (12, 9-13)

Pai-nosso

Ano Paulino

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3 DIMENSÕES

1. O Catolicismo é uma inspiração total da vida e portanto dá também princípios inspiradores da sociedade. As democracias cristãs tiveram um papel enorme na democratização da Europa ocidental. Em Portugal, no 25 de Abril, o episcopado de então deu essa orientação – não se comprometia com nenhum partido de nome cristão e de cariz cristão, mas desafi ava os cristãos a serem participativos nos partidos.
Ninguém se pode eximir de participar no processo político global, o processo político como interesse da coisa pública do bem comum. Quando chegámos a uma isenção, digamos assim, da hierarquia em relação à política, é em relação à política partidária, à política da luta pelo poder, mas não ao interesse da sociedade como tal.
A Igreja tem que tomar consciência de que hoje exerce a sua missão numa sociedade que não se identifi ca com ela, no sentido em que a Igreja não é a sociedade. No nosso caso, há uma maioria de católicos mas há também outros e isso faz com que a Igreja não possa situar-se no quadro da sociedade exercendo um antigo poder de influência e uma antiga relação Igreja/sociedade que já não existe.
2. Eles [os leigos] podem ter uma missão interna à Igreja, mas aquilo que é específi co deles é aquilo que o Concílio chama animação da ordem temporal: no mundo do trabalho, no mundo da justiça, no mundo da política, no mundo da economia, serem pessoas que da prática vão fazer uma análise da realidade e um juízo da realidade em chave cristã, e isso é absolutamente decisivo até em termos de evangelização.
Vamos acentuar o primeiríssimo elemento da intervenção de Deus na minha vida, que é a sua palavra, aprender a escutá-lo através dos meios físicos que eu tenho à minha disposição e que são a bíblia, são a palavra da Igreja.
3. O Ano Paulino é um contexto precioso, porque Paulo é um caso único de autenticidade e de coerência com o evangelho e com a pessoa de Jesus Cristo. A autenticidade da sua conversão… é um homem que se converteu de todo e a partir daí começou um futuro novo que o levou depois a tudo.

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Zemanta Pixie

24 horas a viver e testemunhar a fé

Os jovens da Diocese de Lisboa, maiores de 16 anos, foram convidados a participar numa actividade de 24 horas.

Esta acção acontecerá nos dias 28 e 29 de Junho, e pretende celebrar três acontecimentos: a abertura do Ano Paulino, o aniversário episcopal do Cardeal-Patriarca e as ordenações presbiterais.

Organizada pelo Sector de Animação Vocacional, em conjunto com os sectores da Juventude e da Pastoral Universitária, esta iniciativa, denominada “24-Xpto”, tem início com um encontro dos jovens com D. José Policarpo, na Sé Patriarcal, às 18 horas, e inclui ainda a vigília das ordenações (na igreja de São Paulo, ao Cais do Sodré), a partir das 21 horas, uma marcha luminosa pela cidade, adoração nocturna e acções missionárias na cidade. O “24-Xpto” culmina no domingo, dia 29 de Junho, no Mosteiro dos Jerónimos, com a presença de todos os jovens nas ordenações de presbíteros da Diocese de Lisboa, que têm início às 16 horas.
Dirigido a todos os jovens das diferentes comunidades cristãs – paróquias, institutos e movimentos – a “24-Xpto”, nas palavras dos organizadores, é “um programa algo arrojado, para ‘24 horas de vivência e testemunho da fé’”

Informações: 218810500

www.24xpto.net

Zemanta Pixie

“A Igreja no tempo e em cada tempo”

O Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, publicou este Domingo uma Carta Pastoral na qual deixa apelos em favor de uma Igreja mais activa num tempo de “mutação cultural”, lamentando que a comunidade católica tenha vindo a perder espaço na sociedade “como principal fonte inspiradora de valores da humanidade”.
A Carta frisa que a Igreja “não pode cruzar os braços e renunciar à sua mensagem, mas deve fazê-lo por outro caminho: o da fidelidade interna a Jesus Cristo e ao Seu Evangelho e o do serviço à sociedade, à pessoa humana, suscitando pelo amor e pelo serviço, as sementes de esperança que ainda não morreram no coração dos homens”. “A autenticidade do seu serviço à humanidade deve impor-se por si, e não por mera lógica de poder”, acrescenta.
A missiva, que assinala os 30 anos de Bispo e 10 de Patriarca, tem como título “A Igreja no tempo e em cada tempo”.
D. José Policarpo alerta que “é um erro considerar a fé cristã como uma atitude estritamente individual. Quer no seu dinamismo interno, quer na sua missão no mundo, a Igreja situa-se necessariamente num quadro cultural”. “Sem a radicalidade evangélica autêntica da vida, a Igreja será, sobretudo, vítima da mutação cultural. Só isso lhe dará autoridade para, no inevitável debate cultural, afirmar a diferença de modo a interpelar e rasgar novos horizontes de esperança”, precisa.

CARTA PASTORAL_“A Igreja no tempo e em cada tempo

espírito santo

Uma vida escondida

Sessão do dia 16 de Março de 2008, Jorge Bastos

Uma vida escondida

Um olhar sobre a clausura das Carmelitas, no silêncio e na oração , aparentemente longe do mundo, mas perto das pessoas

Um silêncio que não se aprecia, mas é provocador. Uma alegria que desconcerta. Uma luminosidade que entra pelas janelas do Carmelo de Fátima e que surpreende na espontaneidade dos gestos, dos sorrisos, do acolhimento. Uma certeza que se ganha e que surge como uma graça. Diz a Superiora do Carmelo de Fátima, a Irmã Cristina Maria que esta “é uma vida que só se compreende à luz da fé”.

Será o Carmelo de Fátima um convento para o século XXI? As Carmelitas descalças são seguramente pessoas do Século XXI. O tempo passa e trás coisas novas. Mas é esse mesmo tempo que dá também a resposta da vocação e constrói a família dentro do convento.

Carmelo significa “jardim”. Conta a tradição que o profeta Elias se estabeleceu numa gruta, no Monte Carmelo, seguindo uma vida eremítica de oração e silêncio.

O silêncio e a oração humanas são iguais, mas encontram caminhos actuais.

Porque a vida se renova, não se pode pedir a uma pessoa que viva nas mesmas condições do Século XVI, mesmo sendo em clausura.

Mas o possível conforto “não retira em nada à vida de uma carmelita porque «os verdadeiros adoradores hão-de adorar o Pai em espírito e em verdade»”, recorda a Superiora.

“É este o culto que o Pai deseja e é este o caminho que nós levamos na adaptação aos novos tempos. O importante é que o nosso coração seja só dele. E procuremos que a nossa vida seja toda para Ele e para os irmãos”.

Um mundo pequeno

Vive-se e morre-se no Carmelo. Só se vai para o hospital em situação extrema. Por isso, a parte superior do Carmelo, em Fátima, está preparada para tratar das irmãs que estão doentes.

Nas imediações do convento está o cemitério onde estão sepultadas as irmãs que moraram nas antigas instalações e onde, serão sepultadas as irmãs que agora habitam o novo Carmelo.

As 20 irmãs que ali vivem, com idades entre os 23 e os 83 anos, são todas muito diferentes, em culturas, em educação, em temperamento também.

“Cada uma veio de seu lado”, apesar de presentemente, se encontrarem no Carmelo muitas irmãs naturais de Lisboa.

“Conhecemo-nos muito bem, ajudamo-nos muito umas às outras”. Nem por isso é fácil, tal como no conceito comum de família.

Mas a Irmã Cristina explica que “a nossa oração é efectiva e eficaz na medida em que uma comunidade de carmelitas for uma comunidade de amor”. Por isso, nunca excedem as 21 religiosas no convento, “para que sejamos uma comunidade familiar”.

Também neste processo se vive a entrega, do passar por cima, de quebrar fronteiras e barreiras psicológicas que cada uma possa ter. “Tudo isto acaba por tornar a comunidade terapêutica mas também fecunda na nossa oração”, pois, explica a Superiora, “a nossa oração só é verdadeira se eu amar a minha irmã que está aqui perto de mim”.

Alegria vivida

O acolhimento e a entrega que as irmãs sentem e demonstram por todas as pessoas que as visitam transborda.

“Quem procura relacionar-se com Deus tem que saber relacionar-se com os homens, o que não quer dizer que nós saibamos fazê-lo, mas tentamos”.

A Superiora atribui a alegria do acolhimento à ternura que sentem. “Temos muitas pessoas nossas amigas e talvez seja uma forma de nos fazermos próximas delas, já que tantas vezes não temos ocasião para o mostrar”. Mas o que brota para fora é o que se vive dentro. “Há uma empatia mútua que se cria assente na fé das pessoas”.

A Irmã Cristina Maria dá conta de um “mundo tão frio que as pessoas necessitam de um sorriso, de uma palavra, de um acolhimento, que é o que menos têm”.

Mesmo do lado de dentro do Carmelo, a Superiora nota que “as pessoas passam a vida a correr de um lado para outro, e acabam por se tratar superficialmente. Por isso, quando se encontra um coração que acolhe, a pessoa sente-se bem”.

“O acolhimento é dos valores que actualmente as pessoas mais precisam e mais desejam”, enfatiza. O Carmelo é também chamado a dar visibilidade “desse acolhimento e amizade, do abrir os braços às pessoas e sabê-las amar”.

Vida, dia a dia

As carmelitas iniciam o seu dia às 5h45. Meia hora depois encontram-se para rezar Laudes e depois, segue-se uma hora de oração mental. “Estamos todas juntas, no coro, perto da capela, onde vemos o sacrário, mas cada uma está a rezar em silêncio”, explica a Superiora.

Depois desta hora, segue-se o pequeno almoço “e fazemos mais qualquer coisa” antes das 8h15, hora em que celebram a eucaristia. Os responsáveis actuais pelas celebrações eucarísticas são os padres da Consolata.

Após a eucaristia “rezamos Tércia”, uma “hora menor do Ofício Divino” e depois as irmãs, realizam as mais diversas tarefas, até ao meio dia.

Às 12h rezam o Angelus e segue-se o almoço em silêncio. Na sala da refeição está um púlpito onde uma das irmãs lê uma leitura, uma história de um santo, o catecismo ou até mesmo notícias do Observatório Romano, enquanto as restantes comem.

Após o almoço e a arrumação da cozinha que “é muito rápida pois todas ajudam”, segue-se uma hora de recreio.

“Não se trata de saltar ao eixo”, brinca a Superiora, mas admite que “somos muito barulhentas umas com as outras”. Habitualmente em silêncio, nas horas de recreio “somos muito esfuziantes e quando podemos falar procuramos mostrar essa amizade”, aponta.

No recreio as irmãs estão todas juntas a fazer várias tarefas. “Algumas descascam batatas, outras fazem terços para vender para a loja” – uma forma de subsistência – e “falamos muito”.

Segue-se uma visita ao Santíssimo e voltam para o trabalho até às 15 horas. Nesta altura rezam a hora de Noa, “outra hora pequena do Ofício”.

Segue-se uma leitura espiritual durante uma hora. Pelas 16h15 regressam ao trabalho até às 17h30, hora das vésperas.

Segue-se “nova hora de meditação mental, tal como de manhã” e depois as carmelitas jantam, tal como na hora do almoço, acompanhadas de uma pessoa a ler.

Novamente recreio à noite e passado uma hora, rezam “o ofício de leituras”.

No final desta oração, “toca uma sineta e é o silêncio grande”, descreve a Ir. Cristina. Não se trata de um silêncio rigoroso, “podemos falar se necessário, mas o desnecessário, deixa-se para depois”.

A partir das 21 horas até às 21h45, as carmelitas seguem para a cela, “em silêncio” e “fazemos o que precisamos. Algumas lêem, outras estudam, outras escrevem e depois rezamos completas, todas juntas”. Quando terminam pelas 22h 15m, é hora de recolher às celas.

É uma vida muito particular. “Uma vida de silêncio, de oração, de solidão mas não solitária, não no sentido triste”, avança a Superiora.

As pessoas não estão habituadas ao silêncio. Quando se entra no Carmelo, a Irmã Cristina regista a dificuldade de “nos habituar ao silêncio, saber estar em silêncio”. Mas esta quietude não significar “estarmos apenas connosco mesmas, mas abrir um espaço para que Jesus possa falar”.

A Superiora descreve um espaço em que há silêncio, mas onde “há relação com as irmãs e é isso que faz com que a nossa oração vá crescendo e nós também”. Sabiamente acrescenta que “aprender isto, às vezes, leva uma vida”.

O silêncio surge com a naturalidade. Não sendo nada simples, tudo no Carmelo parece natural.

“É muito bonito quando se chega à possibilidade de perceber o Carmelo como algo muito simples, mas cheio de uma beleza muito grande”, aponta a Superiora.

“Jesus viveu 33 anos, numa vida simples, de família, escondida. Viveu para mostrar que isto é o essencial da vida”, explica.

A descrição e serenidade são condições que hoje são distantes das pessoas. “Todos querem ser visíveis, chamar a atenção” ao ponto de viver na descrição não ser compreensível para as pessoas.

Mas esta vida “na naturalidade, no óbvio, o permanecer na autenticidade faz com que a vida, realmente seja vida”, resume simplesmente.

No Carmelo, porque a clausula não permite a exposição, “temos condições para viver em autenticidade, em naturalidade, para que possamos fazer uma experiência de Deus”.

Uma experiência também possível aos leigos que pode converter.

“As pessoas mais afastadas da Igreja deixam-se tocar não por palavras nem por livros que leiam, mas pelo «Vinde e vede». E aqui experimenta-se a vida de família, e sente-se o amor”.

Consultar http://www.ecclesia.pt/setenta/


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