Arquivo de Janeiro, 2008

“A Infância de Jesus”_Susana Sousa

Deixo-vos também o link de onde tirei uma das teorias possíveis para a vida de Jesus entre os 13 e 30 anos: http://uniao-prosperidade.blogspot.com/2007/01/jesus-peregrino-e-suas-iniciaes.html



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Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos

Tradicionalmente, a Semana de oração pela unidade dos cristãos é celebrada de 18 à 25 de Janeiro.

Esta data foi proposta em 1908 por Paul Wattson de maneira que elas se realizassem no período entre a festa de São Pedro e a de São Paulo. Assim sendo, esta escolha tem um significado simbólico. No hemisfério Sul, onde o mês de janeiro é o período das férias de verão, preferiu-se adoptar uma outra data, por exemplo, uma semana próxima a Pentecostes (sugestão feita pelo movimento Fé e Constituição em 1926), que constitui uma data simbólica para a unidade da Igreja.

Vê o guião aqui!

Carta Encíclica Spe Salvi

China torna-se maior fabricante de Bíblias

QUANTOS CHINESES TERÃO OUVIDO FALAR DE JESUS? 

Que a China é o maior gigante do mercado mundial não há dúvida; que na China quase tudo se produz e em grande quantidade, nenhuma dúvida também; que o colosso asiático se tenha convertido no maior produtor mundial de Bíblias já é, no mínimo, muito curioso.

Lembra o correspondente na China do diário espanhol El Periódico (da Catalunha) que os chineses não celebram o Natal, que passam o ano em Fevereiro e que boa parte da população do país, «sobretudo a rural, nunca ouviu falar de Jesus ou o associa a uma lenda». Na China, escreve o jornalista Adrián Foncillas, apenas um por cento da população é cristã.

Apesar de tudo isso, é na China que está actualmente o maior fabricante de Bíblias do mundo: a Amity Printing é a empresa que desde a sua abertura, em 1986, já produziu qualquer coisa como 50 milhões de livros, 80por cento dos quais são escritos em mandarim e vendidos a 10 yuans (menos de um euro), outra parte é editada em oito línguas de minorias étnicas e o restante é para exportação, em especial para África, Ásia e Europa Central. O artigo do El Periódico conta que são produzidas Bíblias em 90 idiomas, do eslovaco ao suahili e até em braille. As vendas da empresa passaram de meio milhão de exemplares em 1988 para os quase 6,5 milhões em 2005. O que está a dar agora é a edição de bolso, destinada, segundo a própria empresa, a um público mais jovem.

A Bíblia esteve proibida na China até Deng Xiaoping chegar ao poder, em 1978, e decretar a liberdade de culto. Mao Tse Tung, pai da República Popular da China (proclamada em 1949) e da Revolução Cultural (anos 1966-1976), considerava as religiões obstáculos à evolução do país e os textos sagrados acabavam geralmente queimados em fogueiras. Nesse período, apenas o Livro Vermelho de Mao não era visto como símbolo subversivo da burguesia.

Jornal Sexta

Fé nos negócios

As religiões do mundo definiram há séculos formas de estar no mundo dos negócios, que perduram nos dias de hoje. A forma como o dinheiro e o lucro são vistos pelo catolicismo, islamismo, hinduísmo, budismo e judaísmo mostra que há mais pontos em

comum do que diferenças.

Nos almoços organizados pela Associação Cristã de Empresários e Gestores reza-se o Pai Nosso antes da refeição. Um gestor judeu reserva os Sábados para a oração na Sinagoga, nem que nesse dia esteja para ser assinado o seu maior negócio de sempre. Num restaurante muçulmano apresenta-se aos clientes carne de animais abatidos e sangrados no matadouro de acordo com rituais islâmicos. Um hindu prefere não ostentar dinheiro e fazer doações para potenciar bom karma. No Budismo ganhar dinheiro não é uma coisa má: o que conta é a intenção.

A religião está no meio de nós. Não só estrutura planos de negócio, como define normas e condutas a seguir. Séculos antes de existir qualquer abordagem filosófica à ética empresarial, as religiões já a definiam. E mesmo que todos os dias se fale em crise de fé, a verdade é que três em cada quatro pessoas diz ser religiosa. Como afirma Domenèc Melé, professor e director do departamento de Ética Empresarial da Escola de Negócios IESE, em Espanha, as crenças fornecem mapas de acções nos negócio e a “ética religiosa está mais viva, hoje, do que a moral filosófica das implicações do negócio para a comunidade”. Num mundo global, gerir a diversidade implica conhecer a abordagem ao negócio das várias religiões.

Judaísmo: A riqueza de Deus

A história de Alain Hayat, 63 anos, não é muito comum para um judeu. Foi o número dois da Renault Portuguesa entre 1988 e 1993 e viajou pelo mundo em funções de gestão na multinacional francesa – que incluíram abrir uma subsidiária do fabricante automóveis na Rússia. Depois do curso de economia e estatística feito em Paris, Alain, filho de uma família tradicional judia oriunda da Tunísia, entrou no mundo do trabalho como empregado.

“Tive uma vida muito cosmopolita, o que segue um pouco a perspectiva dos judeus. O primeiro passo que dava em cada novo país onde estava era contactar a comunidade judaica”, conta em Lisboa, onde vive com a esposa portuguesa desde que se reformou. A religião, diz, traz consigo alguns problemas práticos para o gestor que depende de uma hierarquia. “Os judeus não trabalham ao Sábado e a preparação começa um dia antes. A partir das 15 horas de sexta-feira tinha de sair. Explicar isso ao patrão é complicado…”, recorda, acrescentando que esta é uma das razões para que a maioria dos judeus se dediquem ao seu próprio negócio. Alain, que também é director da sinagoga Shaaré Tikva de Lisboa, sublinha que “qualquer religião traz consigo regras morais”.

Contudo, há questões de fé que ultrapassam a gestão empresarial. “A decisão de despedir pessoas é um problema humano e não religioso. Quando tive de o fazer, sempre procurei respeitar as pessoas”, aponta. Alain Hayat garante que há uma separação clara entre a gestão profissional e a religião ainda que, no judaísmo, a actividade profissional seja uma forma de ligação a Deus. “O judaísmo dá valor ao trabalho. Deus criou o Homem para terminar a sua obra. O mundo não está acabado. Fazer coisas positivas é uma forma de ser religioso e de demonstrar que se está a fazer o que Deus espera de nós”, explica.

Segundo o rabino Eliezer Shai di Martino, a visão judaica da economia assenta em três pilares: capitalismo (a Torah reconhece os direitos de propriedade e da acumulação de riqueza – vista como uma bênção); fé (a riqueza e o bem-estar não são apenas produto da astúcia, são uma benção de Deus. Por outro lado, a riqueza não é propriedade do ser humano – é um depósito de Deus para que as pessoas se possam dedicar mais à vida espiritual); e actos de caridade (o bem-estar dos cidadãos é gerido pelas comunidades).

“Há alguns pontos de contradição com o capitalismo puro, nomeadamente na proibição de cobrar juros elevados. O dinheiro que temos é um depósito de Deus e ao emprestá-lo não podemos ser demasiado gananciosos”, diz.

Ter salário em dia é um imperativo no judaísmo. “Quando uma pessoa tem um empregado não pode atrasar o pagamento. É uma questão de planificação”, justifica Alain. Eliezer Shai di Martino acrescenta: “É uma proibição bíblica atrasar salários”.

O antigo gestor da Renault, que fez carreira desde o “marketing” até altos cargos de gestão, acredita que a separação entre gestão e religião não pode ser conflituosa. “Não poder trabalhar ao Sábado é um problema 100 por cento pessoal, uma opção que me levava a fazer um planeamento. Um empresário terá de enfrentar o facto de parar o negócio”, garante.

Catolicismo: O destino universal dos bens

No catolicismo – a vertente do cristianismo com maior número de crentes – o lucro é subordinado à ética. A Doutrina Social da Igreja refere que “a actividade económica, segundo os seus métodos e as suas leis próprias, deve exercer-se dentro dos limites da ordem moral, a fim de corresponder aos desígnios de Deus a respeito da humanidade”.

A actividade económica, refere Nuno Fernandes Thomaz, administrador não executivo da Nutrinveste, do grupo Jorge de Mello, “é um meio para servir a humanidade”. Dirigente da Associação Cristã de Empresários e Gestores (ACEGE), vice-presidente do Conselho Directivo do Fórum para a Competitividade e militante do CDS/PP, Nuno Thomaz é católico desde que se lembra. “Foram sementes deixadas desde o início”, diz. Os valores que defende enquanto gestor misturam-se com a religião que professa, mas na hora de tomar decisões difíceis assume que tem “dilemas permanentes”. A teoria e a prática enfrentam-se, entre a sustentabilidade a longo prazo de um negócio – que implica por vezes despedimentos – e a defesa do bem comum e a ajuda ao próximo. “Quando tive de despedir cerca de 100 a 200 pessoas enfrentei dilemas dolorosos. Mas a empresa onde estava, na altura, em meados dos anos 90, é hoje viável”, explica.

Nuno Thomaz prefere pôr a tónica na responsabilidade social, tema que tem dominado debates na ACEGE. A criação de valor de uma empresa passa pelo seu papel social, económico e ambiental, numa óptica de sustentabilidade a longo prazo. “Aos valores ‘pessoas, lucro e planeta’ junta-se um quarto: o da dimensão espiritual”, sublinha. Iniciativas como o lançamento do Código de Ética dos Empresários e Gestores reforçam esse novo olhar. Até porque em momentos de conflito de valores “são essenciais critérios claros que ajudem a decidir de acordo com os princípios de uma recta consciência, baseados na Doutrina Social da Igreja”, lê-se no preâmbulo do documento, lançado pela ACEGE.

Peter Stilwell, director da faculdade de Teologia da Universidade Católica, explica que no catolicismo “há o princípio do destino universal dos bens”: toda a Humanidade tem direito ao usufruto dos bens. O lucro foi encarado, durante muito tempo, como algo negativo. O mesmo se passava com a riqueza proveniente dos jogos dos mercados financeiros. “O Papa João Paulo II introduziu a noção de lucro justo. Pode ser um critério de eficiência da empresa e, justamente investido, aproveitado para o lucro comum, respondendo às necessidades da sociedade”, explica Peter Stilwell. Para os católicos o capital não é mais do que a acumulação do trabalho. Mas o dinheiro não é para ser esbanjado.

Islamismo: A importância do negócio lícito

Ismail Karolia pede uns minutos para poder cumprir mais uma oração do dia. No Mk Halal, restaurante de “fast food” com comida do oriente em Odivelas, jovens entram e saem com tabuleiros cheios de hambúrgueres de frango ou kebabs. Ismail, com apenas 23 anos, pensou o conceito ao pormenor, seguindo todos os preceitos da religião islâmica. No menu não há carne de porco nem álcool. Aliás, a carne utilizada para confeccionar os alimentos é “halal” ou seja, o abate dos animais segue as práticas islâmicas, com presença humana e técnicas de corte que, diz o jovem empresário, “eliminam 95 por cento das hipóteses de contaminação de doenças”.

“Este é um conceito étnico e a empresa tem cariz familiar – o meu pai é sócio honorário”, explica Ismail, depois de ter cumprido o ritual de mais uma oração. No restaurante de Odivelas e no do centro comercial Rio Sul, no Seixal, há um pequeno espaço onde os proprietários podem rezar. Os clientes são de todas as religiões, mas o conceito “halal” é “para um mercado muito específico”. No negócio que criou, tudo é lícito para consumo. Não teria sentido de outra forma.

“A minha religião está ligada ao meu negócio, que nasceu em 2003. Tento não marcar reuniões nas horas de oração, por exemplo. Os produtos que comercializo são todos permitidos. E o zakat (contribuição de 2,5 por cento dos lucros para os mais pobres) é um compromisso normal”, conta.

A segunda maior religião do mundo encoraja as práticas empresariais e o comércio. A prosperidade é desejável, mas não é um objectivo em si mesmo. O Xeque David Munir, Imã da Mesquita de Lisboa, explica que é proibido “ter uma riqueza que provenha da exploração de pessoas”. A caridade aumenta a riqueza e, por isso, o zakat serve para “purificar” o dinheiro obtido. Vender álcool é proibido, daí que os empresários da hotelaria entreguem a exploração do bar a não muçulmanos. Ismail Karolia prefere não ter esse problema para resolver e aboliu a venda de álcool nos restaurantes, mesmo que com isso obtivesse mais lucro. Os dez novos restaurantes que pretende abrir em Portugal seguirão as mesmas regras. “A minha opção em ter carne ‘halal’, por exemplo, encarece o preço da matéria-prima em 40 por cento, mas eu consigo praticar ao público os mesmos preços da concorrência”, garante, revelando que cada unidade tem uma facturação anual de 180 mil euros. Os novos restaurantes serão abertos através de “franchising” e depois do território nacional o empresário espera entrar em Espanha, onde há 1,5 milhões de muçulmanos.

O cumprimento das promessas e dos contratos, bem como a honestidade são valores cruciais. A usura não é permitida e os juros cobrados num empréstimo à habitação, por exemplo, são encarados como “inflação”. O recurso excessivo ao crédito é desincentivado. A palavra de ordem é o equilíbrio.

Para um muçulmano, a relação com os empregados também tem regras específicas. Para além de ser banida qualquer tipo de exploração, o cumprir o pagamento de salários é fundamental. “O Alcorão diz: Pague ao seu funcionário antes de secar o suor”, cita David Munir. No Mk Halal – que entre funções de logística, administrativas ou nas lojas já emprega 20 pessoas – 90 por cento dos trabalhadores não são muçulmanos. Mas nem por isso deixam de beneficiar das regras do Islão.

“Para mim é normal gerir desta forma. O meu balanço anual, por exemplo, é sempre feito no mês do Ramadão”, diz Ismail.

Hinduísmo: Doar para purificar

Kirit Bachu está sentado de pernas cruzadas em cima de um tapete de esponja, forrado a tecido bordeaux. Juntou-se ao grupo de homens e mulheres que assistem, numa sexta-feira fria, à cerimónia religiosa no templo da Comunidade Hindu de Portugal.

“Numa actividade comercial nunca se deve enganar uma pessoa. O lucro tem de ser justo, não exagerado. E quando se atinge um certo patamar, devemos tirar uma parte para caridade. Assim estamos a purificar os proveitos que tivemos”, diz, mais tarde, ao PÚBLICO.

O empresário de 55 anos, dono da Interbrinca, importadora de brinquedos da Rua da Madalena, em Lisboa, chegou a Portugal em 1980. Os avós e os pais eram comerciantes em Moçambique e desde que nasceu Kirit estava quase predestinado a seguir-lhes os passos, cumprindo a tradição hindu. Hoje tem 12 empregados que fazem parte da mesma equipa.

Ashok Hansraj, porta-voz da Comunidade Hindu de Portugal, explica que no Hinduísmo as relações hierárquicas não se limitam a uma posição de superioridade.

“Um empresário tem de criar um ambiente ameno e agradável na empresa para que haja produtividade. Este é um princípio antigo”, refere. Os princípios da religião que Kirit professa intervêm na actividade comercial, que faz parte da sua tradição familiar há quatro gerações. “É claro que as decisões são económicas, baseadas no negócio, mas há aspectos que são característicos da minha religião. Os hindus por norma não gostam de exibir a riqueza”, ilustra. O desapego ao materialismo está muito presente nesta religião. Ashok Hansraj explica que os bens são necessários, mas lembra: “Viemos ao mundo de mãos vazias e vamos regressar de mãos vazias. Deixamos a obra”. A riqueza indevida, obtida através de meios ilícitos, é um vírus. Nem que apenas uma pequena percentagem de uma grande fortuna seja proveniente de “dinheiro sujo” todo o negócio é afectado. As acções filantrópicas dão, por isso, bom karma.

No templo, mulheres e homens sentam-se em locais diferentes, virados para o altar onde os deuses hindus são homenageados.

À medida que os cânticos enchem o espaço, dominado pelos tons bordeaux e dourado, entram mais hindus, jovens e adultos descalços. Kirit Bachu prefere não revelar dados financeiros da Interbrinca (os números não são tão bons como eram há alguns anos) e vai dizendo que os hábitos mudaram. A educação a que hoje os filhos têm acesso faz desviar o destino certo no ramo comercial para outros voos, até porque no Hinduísmo não há imposições, nem carreiras profissionais proibidas. “Já têm outra ambição, querem formar-se. A profissão já não passa de geração em geração”, diz, com ar conformado.

Budismo: O desapego aos bens materiais

Ganhar dinheiro. Era este o maior objectivo profissional de Carlos Quintas, fundador da Sociedade de Software Financeiro e, mais tarde da Altitude Software, quando terminou o curso de engenharia electrotécnica de sistemas digitais no Técnico, em 1982. Mas a visita de Dalai Lama a Portugal em 2001 mudou tudo. Dono de uma empresa que facturava 20 milhões de euros e que, no seu pico de actividade, chegou a ter 400 funcionários, Carlos Quintas, hoje com 48 anos, decidiu deixar literalmente tudo para trás e aprofundar a prática do Budismo. Vendeu os dez por cento de capital que detinha na Altitude Software e partiu para o Sul de França para um retiro de quatro anos.

“Foi um choque total e absoluto para a família e amigos. Mas para treinar a mente e desenvolver o amor, a compaixão e o espírito altruísta teria de me isolar. Não é fácil explicar isto aos outros”, conta. De regresso a Lisboa, o empresário não traçou planos para o futuro. Quer aplicar o que aprendeu. “É provável que surjam oportunidades, nomeadamente na área das novas tecnologias, mas hoje tento não me apegar às coisas. Ganhar dinheiro não traz felicidade”, explica. A visão mudou. Carlos Quintas percebeu que se quer aplicar a filosofia budista aos negócios tem de ter como intenção gerar felicidade aos outros e a si próprio. “No mundo dos negócios há sempre a tendência para dar prioridade ao lucro, mesmo não sendo muito ético. Mas ter essa atitude é, no fundo, uma estupidez porque terei sempre consequências”, continua.

No Budismo todas as acções têm consequências (positivas ou negativas). Paulo Borges, presidente da União Budista Portuguesa, explica que “a gestão fundamental não é a da riqueza material, mas de processos mentais e emocionais”. As condições materiais não influenciam a felicidade e o treino, através da meditação, pode diminuir a importância do materialismo. No livro “Realização e serenidade na vida profissional”, Dalai Lama refere que não há nada de errado em ganhar dinheiro.

O problema é quando a “motivação para ganhar dinheiro se torna um fim em si mesmo”. Um empresário ou gestor budista deve ter um meio de vida que não prejudique directa ou indirectamente outro ser vivo e deve contribuir para o bem comum. Ser dono de um império económico é, aliás, resultado de práticas antigas de generosidade. O essencial e não ter apego à riqueza.

“Utilizar a motivação correcta é a melhor maneira de florescer o negócio. Se eu for altruísta e generoso vou beneficiar muito mais. É assim que funciona a mecânica do mundo”, resume Carlos Quintas.

Breve Raio X

Judaísmo

População: Cerca de mil em Portugal (15 milhões no mundo)

Relação com a riqueza: Para os judeus, o bem-estar e a riqueza não são apenas produto do sucesso de um negócio. É uma bênção de Deus, uma espécie de depósito colocado nas mãos das pessoas para que possam dedicar-se à vida espiritual judaica. É admissível tirar proveito da riqueza. As necessidades económicas ou desejos são encarados como qualquer outra tendência humana.

Actividades profissionais desaconselhadas: A usura não é permitida. É valorizado o trabalho manual. O Talmude, código magno da lei judaica, refere que “uma pessoa que ganha um sustento honesto através de um trabalho manual tem mais valor do que uma pessoa que teme os céus”.

Catolicismo

População: 7,3 milhões em Portugal (970 milhões no mundo)

Relação com a riqueza: O capitalismo é aceitável se for entendido como um sistema económico que reconheça o papel positivo e fundamental das empresas. É defendido o direito à propriedade privada e os lucros são entendidos como reguladores da vida empresarial, a par de factores humanos e morais.

Actividades profissionais desaconselhadas: Todas as que não respeitem a dignidade humana. As actividades profissionais devem contribuir para a sociedade.

Islamismo

População: 35 mil em Portugal (mil milhões no mundo)

Relação com a riqueza: A prosperidade é desejável mas não deve ser o fim único. Os muçulmanos devem fornecer serviços úteis à comunidade. É reconhecido o direito de propriedade e Alá é aquele que sustenta. O Islão não permite a riqueza ilícita. Uma percentagem anual dos lucros deve ser dada aos pobres.

Actividades profissionais desaconselhadas: Qualquer actividade deve ser gerida de acordo com as leis da natureza decididas por Deus. Não se deve ter uma profissão que explore as pessoas, nem enganar o cliente no preço ou na qualidade do produto. É proibido vender e consumir álcool e carne de porco.

Hinduísmo

População: 15 mil em Portugal (780 milhões no mundo)

Relação com a riqueza: Os bens são necessários mas o que é supérfluo ou excessivo implica perda de identidade. A riqueza não é um objectivo supremo. A ética é mais importante. O sistema de castas hierarquiza a sociedade de acordo com classes profissionais (por ordem de importância): Brahmans (sacerdotes), Kshatriyas (realeza e soldados), Vaisyas (empresários, agricultores) e Harijans (“os intocáveis”).

Actividades profissionais desaconselhadas: As que prejudiquem seres humanos e animais.

Budismo

População: 10 mil em Portugal (325 milhões no mundo)

Relação com a riqueza: Produzir riqueza não é uma questão central, mas não se considera a acumulação de dinheiro negativa. Não são as condições materiais que influenciam a felicidade, por isso o dono de um império de milhões pode ser budista se não se apegar à riqueza que produz.

Actividades profissionais desaconselhadas: Um budista deve ter um meio de vida que não prejudique directa ou indirectamente seres vivos. Deve poder contribuir para o bem comum. Ser talhante, caçador, trabalhar no sector químico, farmacêutico ou no armamento é desaconselhado

Principal fonte consultada: Religious Foundations of Business Ethics, de Domènec Melé in “The Accontable Corporation”, Marc J. Epstein e Kirk O.Hanson

Ana Rute Silva

Jornal Público, 04.01.2008

e-mail recebido: A desforra de Deus

O fenómeno religioso tem vindo a conquistar espaço na vida pública em proporção inversa à prática religiosa dos cidadãos

“ARepública precisa de crentes”, afirmou, no Vaticano, Nicolas Sarkozy. Em visita ao Papa Bento XVI, o Presidente francês acaba de quebrar um tabu que, desde a lei de separação de 1905, relega a religião para a esfera privada dos indivíduos, suprimindo a sua expressão pública. No seu discurso em Roma, Sarkozy foi ainda mais longe, assumindo as raízes cristãs da França, “cimento da identidade nacional”, e defendendo uma laicidade positiva que não encare as religiões “como um perigo, mas sim como um trunfo”, numa França hoje religiosamente diversa. Como era de esperar, estas considerações tumultuaram a classe política francesa e alguma opinião pública, nomeadamente à esquerda. “Trata-se de uma verdadeira confusão entre o religioso e o político”, afirmou François Hollande, dirigente do PS francês.
Dir-se-á que esta é mais uma daquelas polémicas à francesa que não interessam a ninguém, a não ser aos próprios. No entanto, como aqui já tive a ocasião de o dizer, devido precisamente ao radicalismo da sua experiência, a França é frequentemente um laboratório cujos sinais ultrapassam as suas fronteiras e este é um deles. Como doutrina e como prática, a laicidade radical que considera a religião como um factor de atraso e obscurantismo a banir do espaço público, e se possível da estratosfera, está de facto completamente ultrapassada, não só em França, mas onde quer que ela se manifeste. Existe apenas em cabeças dogmáticas que fizeram do laicismo e do anticlericalismo a sua própria religião. Na prática, quer os cidadãos, quer o poder político mantêm com as confissões religiosas uma relação natural e descontraída. Isto é uma realidade no mundo ocidental e também em Portugal, onde partidos políticos, comunicação social, ministros e Presidentes visitam igrejas, sinagogas, mesquitas e mantêm contactos com as lideranças religiosas quando tal é necessário.
A que se deve esta evolução, absolutamente impensável ainda há duas décadas? A uma maior religiosidade dos cidadãos e, em consequência, a um maior respeito pelas suas instituições? A resposta é, claramente, não! Paradoxalmente, e em particular no Ocidente europeu, o fenómeno religioso tem vindo a conquistar espaço na vida pública em proporção inversa à prática religiosa dos cidadãos. O lugar que hoje é dado à expressão pública das confissões religiosas é o resultado, em primeiro lugar, do apaziguamento do trauma da violência inaugural da separação Estado/Igreja; em segundo lugar, do reconhecimento de que num mundo de opressão política e corrupção moral os valores religiosos oferecem um universo moral alternativo às utopias ateístas e seculares. “Se não tiveres Deus”, afirma T.S. Eliot, “terás de te prostrar perante Hitler ou Estaline.” Certo ou errado, a verdade é que a religião tem sido frequentemente um fermento no combate às ditaduras políticas e militares: contra os regimes comunistas no Leste europeu, contra as próprias ditaduras militares seculares no mundo islâmico, onde as mesquitas são frequentemente, e com os excessos que se conhecem, o único centro de oposição política, ou mais recentemente na resistência dos monges birmaneses a um dos regimes mais opressivos do mundo. Digamos que no último quartel do século XX a história reabilitou a religião, com os seus lados positivos, mas também com os seus excessos brutais. “La revanche de Dieu”, como lhe chamou Gilles Kepell.
O terceiro elemento da visibilidade actual do fenómeno religioso é a diversidade religiosa e particularmente a presença maciça do islão na Europa. Contrariamente ao judaísmo, habituado a viver em diáspora durante milénios, conformando-se às leis dos países, segundo a máxima talmúdica “a lei do pais é a nossa lei”, o islão não tem experiência histórica da separação entre a vivência cívica e a religiosa. Assim, a presença islâmica é uma presença religiosa visível e culturalmente diversa que mexe com o espaço público e representa um desafio para uma Europa habituada a ver-se como um “clube cristão”. A questão que a diversidade religiosa coloca – e que é hoje absolutamente central – é como conviver harmoniosamente entre religiões diferentes e entre religiosos e ateus, respeitando e partilhando o espaço comum. É aqui que a questão da laicidade positiva, ou seja, uma visão liberal da laicidade, feita de negociação permanente e de equilíbrio das liberdades individuais e colectivas, pode dar uma resposta. Só ela permite a plena realização pessoal e cívica que para muitas pessoas passa pela prática de uma religião. Ao estimular uma prática religiosa tolerante e respeitadora das convicções alheias, a laicidade positiva é também um antídoto contra os fundamentalismos religiosos e laicos.
Algo estará a mudar na velha Europa, a que não será estranho o combate intransigente do Papa Bento XVI contra as ideologias seculares e o materialismo “que esqueceu que o homem permanece homem, que a liberdade permanece a liberdade, mesmo para fazer o mal”. Algo está a mudar numa Europa em que o Presidente francês vai ao Vaticano afirmar as raízes cristãs da república mais laica do planeta e em que um ex-primeiro ministro britânico assume publicamente a sua apostasia e conversão ao catolicismo….
Em Portugal, onde a convivência inter-religiosa e cultural é hoje pacífica, ainda existem esporadicamente uns laivos de laicismo sectário e absurdo, como a recente medida do Ministério da Educação de retirar os nomes dos santos às escolas públicas. A verificar-se, esta decisão revela uma visão da laicidade completamente deturpada, ignorando a cultura cristã dominante da população portuguesa e encarando a esfera pública secular como um espaço neutro, asséptico e esquizofrénico, em que cada um tem de calar as suas convicções, remetendo-as para uma esfera quase tão tabu e “vergonhosa” como as opções sexuais… Para não referir o absurdo de uma medida que coerentemente teria de se aplicar progressivamente a hospitais, juntas de freguesia, elevadores públicos…
Será necessário repetir que a laicidade positiva contemplada pela Lei de Liberdade Religiosa de 2001 pressupõe, ao invés, a expressão pública, livre e harmoniosa da diversidade cultural e religiosa?

Público, 03.01.2008, Esther Mucznik, Investigadora em assuntos judaicos

Agenda litúrgica em versão PDA

O Secretariado Nacional de Liturgia (SNL) acaba de lançar uma versão, em formato digital (Excel), da sua Agenda Litúrgica para 2008. Desta forma, é possível importá-la para o Calendário do Microsoft Outlook -ou outro programa – e por sua vez sincronizar com o PDA.

A versão do calendário das celebrações católicas, com as leituras próprias e os Santos do dia, entre outras informações, encontra-se disponível na página do SNL, em www.liturgia.pt.

Clica em  http://www.liturgia.pt/agenda/

Bento Oliveira


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